Autismo: Como trabalhar as estereotipias

Um dos eixos de comportamento mais preocupantes e significativos nos Transtornos do Espectro Autista (TEA), são as estereotipias. Mas o que é isto? A estereotipia é um comportamento caracterizado por ações repetitivas e de grande interesse da criança sem que haja um objetivo ou uma finalidade ao final. Faz porque faz e sente que TEM QUE FAZER!

Uma das características  mais importantes das estereotipias é acontecer sem que haja um contexto ou um significado para isto. Costuma atrapalhar e desarticular a criança de seu espaço social ou de suas demandas escolares ao desviar a atenção para longe do contexto social e da sequência de aprendizagem acadêmica.  A criança se distrai com as repetições edeixa de funcionar e de adquirir as habilidades que são ensinadas a todos.  Pode também atrapalhar os demais em sua volta, distraí-los, fragmentar a memorização e a sequenciação necessárias para consolidar a aprendizagem.

Assim, um dos objetivos das intervenções interdisciplinares no Autismo é reduzir ou fazer desaparecer as estereotipias.  A estratégia envolve lançar mão de várias formas de tratamento. O uso de medicações, a redução de determinadas comorbidades, a compreensão e o apoio da escola e adoção de métodos cientificamente comprovados  por todos os envolvidos que cuidam da criança devem embasar todos os esforços para transformar atos estereotipados em ações que tenham finalidade social e que respeitam os diferentes contextos que porventura a criança venha a presenciar.

Várias estratégias ajudam a reduzir estereotipias, como o ABA (Análise Aplicada do Comportamento), o TEACCH,  o DIR-Floortime e métodos de estimulação da linguagem e de integração sensorial.  Estes métodos, em conjunto com as famílias, são meios eficazes para direcionar, construir ações que vão desfazendo as repetições e produzindo novas formas de relacionamento com o espaço em volta da criança, criando novas oportunidades de enriquecer sua socialização e diversificar seus interesses. Neste contexto, a escolarização vem acrescentar ainda mais a este processo, pois permite à criança experimentar mais estímulos estruturados, novas atividades e novas interações dia após dia.

É importante observar que tais estratégias devem ser sistematicamente colocadas,  pouco a pouco, passo a passo,  a fim de que a criança com autismo tenha prazer e motivação em fazê-los. De súbito, pode não funcionar e receber, de pronto, um comportamento de aversão pela criança e resultar em fracasso.  A escola deve preparar seus professores para conhecer e estudar acerca destes métodos para que a criança não sinta grandes diferenças na condução ao sair de um lugar e ir para outro. Além disto, é importante que a estereotipia seja inibida por uma ação voluntária e com finalidade a cada sinal de reincidência ou ameaça de regressão.

A estereotipia, enfim, é um dos comportamentos mais restritivos e regressivos do Autismo e deve ser, desde cedo, combatida e dissipada a fim de permitir que a criança procure acoplar suas ações aos mais diferentes contextos e gaste sua energia em explorar o mundo e não em gestos e falas sem sentido ou significado social.

Via Entendendo o Autismo

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *