Menina autista ganha farda da PM e sonha ser comandante no RS

O que você queria ser quando crescesse? Médico? Astronauta? Jogador de futebol? O sonho de Rafaella, de cinco anos, é ser policial militar. E mais do que isso. Ela quer ser comandante de um batalhão da Brigada Militar.

O G1 acompanhou a visita da pequena moradora de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ao quartel-general da Brigada Militar na tarde da última sexta-feira (22), no Centro da capital. No local, a menina presenteou o comandante-geral da BM, coronel Alfeu Freitas, com uma cuca de banana. Em troca, recebeu dele uma medalha, a segunda em sua farda infantil (assista no vídeo acima).

Rafaella Elisa Trindade foi diagnosticada com autismo em 2013, quando tinha 3 anos. O autismo é um distúrbio neurológico que afeta o desenvolvimento de capacidades de comunicação, interação e atenção. É caracterizado por comportamentos repetitivos e obsessivos. A fixação de Rafaella é o amor pela sua farda e pela polícia militar.

A vontade de ser policial é genética. O pai dela era PM. Ele foi morto a tiros dentro de casa em abril de 2014, período em que estava afastado do trabalho por questões de saúde. A farda de Rafaella foi um presente do 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM), de Canoas, onde o pai – que não reconheceu a paternidade e nem conheceu a filha – era lotado.

“Quero ser comandante do 15 BPM”, sonha a ‘soldado’ Rafaella. “Quero ser policial porque o meu pai era.”

“Queremos que ela alcance esses sonhos. Será bem especial. A Rafaella é um símbolo da família brigadiana. Da família que fica, que sofre com a morte de um policial militar”, pontua o coronel Freitas, que adiantou que a Brigada Militar irá instituir a data de 8 de agosto como o Dia do Policial Morto em Combate.

Amor pela polícia

O amor de Rafa, como é chamada, pela Brigada Militar, nasceu há quase um ano, após receber um bilhete na escola para convidar a família para a apresentação do Dia dos Pais.

“Como o pai dela era falecido, ela queria construir um robô de ferro para levar para escola e os colegas acharem que ela tinha pai. Eu disse para ela que não dava. Aí, ela resolveu que ela gostaria de ganhar a farda”, conta a mãe Ana Carolina Trindade.

Fardada, a menina gosta de passear no shopping, ao 15º BPM, ir para a escola, ao mercado e de andar na rua procurando viaturas. “Por ela, ela está sempre com a farda”, diz a mãe.

Rafaella anda sempre com um bloco de anotações. Nele, a pequena registra as infrações que observa. No QG da Brigada Militar, por exemplo, ela multou o comandante Freitas por ele estar ‘sem cobertura’ – denominação policial para o que cobre a cabeça do PM, seja boina, boné ou capacete. Rafa também multa quem fala palavrão. “Ela gosta das coisas certas. O autismo dá isso à ela”, resume a mãe.

Mas o primeiro amor da menina não foi a Brigada Militar, e sim o Internacional. Rafaella é colorada de carteirinha. Literalmente, já que é sócia. “Eu amo o Inter e a polícia”, diz.

Rafaella sonha em comandar batalhão da BM e adora viaturas policiais (Foto: Igor Grossmann/G1)

Autismo e tratamento
A batalha da soldado Rafaella é diária. O autismo não tem cura, mas possui tratamento. O da menina, no entanto, não está completo. Ela precisa de acompanhamento de neurologista, fonoaudiólogo, psicopedagogo e psicólogo, além de realizar terapia ocupacional.

Devido aos custos, atualmente Rafaella só é tratada por uma psicopedagoga, duas vezes por semana. “É difícil, porque ela tem crises. Ela não tem noção de horários, às vezes ela quer sair de noite. Ela dorme pouco, porque geralmente o autista dorme muito pouco”, diz Ana Carolina sobre a filha.

A mãe, no entanto, ressalta que Rafaella já demonstra avanços, mesmo realizando o tratamento somente com um profissional. “Ela está mais calma, está interagindo na escola e já brinca com outras crianças”, elenca. “Ela tem olho no olho. Ela beija, ela abraça. Ela é uma criança bem ativa. Pelo autismo ser em menina, ele é um pouco mais fraco”, completa.

Via G1

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *